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sábado, 24 de abril de 2010

Opiniões

Garantir matematicamente a manutenção merece aplausos. E uma reprimenda. O Rio Ave colheu em boa hora os pontos salvadores e merece, por isso, uma vénia. Agora, é uma equipa abastada, de barriga cheia e molengona. Perdeu o ímpeto de conquista, de saudável rebeldia. Agarrou-se ao pontinho que lhe faltava e não o largou, beneficiando também de um Marítimo que mantém a sua principal característica: a imprevisibilidade.

O zero a zero de Vila do Conde é, de facto, uma folha em branco no que toca à qualidade. As equipas cederam ao jugo do conformismo, maquilharam insuficiências evidentes com um ou outro lampejo individual, manietaram a ambição num pacto salomónico de não agressão. O empate sacia a necessidade do Rio Ave e alimenta a expectativa europeia insular.

Mas não passa disso. Quem gosta de bom futebol não pode gastar elogios nesta peleja.

O respeito é muito bonito

O fio condutor deste jogo foi um marasmo de criatividade, excepção feita aos prometedores (e enganadores) minutos iniciais. Tivemos um Rio Ave desabrido, calculista, assente num meio-campo competitivo e nas iniciativas dos extremos, Bruno Gama e Sidnei. O que é feito da equipa que justificou durante semanas a fio o rótulo de «sensação» da Liga?

Um ou outro cruzamento, uma grande penalidade por marcar sobre Bruno Gama, um pontapé de Wires ao poste e estão resumidas as ambições atacantes do Rio Ave em 90 minutos. Redutor? Talvez. Se quisermos ser tolerantes, percebemos que a imperatividade do pontinho secou toda e qualquer pretensão de fantasia e brilhantismo em seu redor.

Não se pedia, de resto, um futebol acetinado, de filigrana. Mas deve haver respeito. Respeito por quem acredita e acompanha a equipa. Respeito por quem vai ao estádio e espera ver algo melhor.

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