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sábado, 19 de outubro de 2013
A fórmula de sucesso de Alex Ferguson (IV)
Lição nº 3.
Estabelecer padrões elevados
- e comprometer toda a gente com eles
Ferguson fala apaixonadamente sobre o seu desejo de instilar valores nos seus jogadores. Mais do que dar-lhes capacidades técnicas, quis inspirá-los a esforçarem-se por fazer melhor e a nunca desistirem — por outras palavras, quis fazer deles vencedores.
O seu intenso desejo de vencer derivava, em parte, da sua própria experiência como jogador. Depois de ter sucesso em vários clubes escoceses de pequenas dimensões, assinou por um clube importante, os Rangers — a equipa que apoiara quando rapazinho — mas em breve foi tomado de ponta pelo novo treinador. Saiu dos Rangers três anos depois, apenas com uma final da taça da Escócia para mostrar por todo o seu tempo ali passado. “A adversidade deu-me um sentido de determinação que deu forma à minha vida”, conta. “Tomei a decisão de nunca mais ceder”.
Era esta mesma atitude que procurava nos seus jogadores. Recrutou aquilo a que chama “maus perdedores” e pediu-lhes que trabalhassem arduamente. Ao longo dos anos, esta atitude tornou-se contagiosa — os jogadores não aceitavam colegas de equipa que não se entregassem completamente. As maiores estrelas não eram exceção.
O que diz Sir Alex Ferguson:
Tudo o que fizemos foi para manter os padrões que estabelecêramos enquanto clube de futebol — isto aplica-se a toda a minha construção de equipa e à sua preparação, conversas motivacionais e táticas. Por exemplo, nunca permitimos uma má sessão de treino.
Aquilo que vemos nos treinos manifesta-se no campo de jogo. Assim, cada sessão de treino tinha a ver com qualidade. Não admitíamos faltas de concentração. Tratava-se de intensidade, concentração, velocidade, um elevado nível de desempenho. Isso, esperávamos nós, tornaria os nossos jogadores melhores a cada sessão.
Eu tinha de elevar as expetativas dos jogadores. Estes nunca podiam ceder. Eu dizia-lhes sempre: “Se cederes uma vez, cedes duas”. E a minha ética de trabalho e a minha energia, parecem ter-se espalhado por todo o clube. Eu era o primeiro a chegar de manhã. Nos últimos anos, muito do meu pessoal já lá estava quando eu chegava, às sete da manhã. Acho que eles compreenderam por que razão eu chegava cedo — sabiam que havia um trabalho a fazer. Havia aquele sentimento, “se ele é capaz, eu também sou”.
Dizia sempre à minha equipa que trabalhar arduamente toda a vida é um talento.Mas esperava ainda mais das estrelas. Esperava que trabalhassem ainda mais arduamente. Dizia-lhes: “Vocês têm de mostrar que são a nata dos jogadores”. E era o que eles faziam. É por isso que são estrelas — estão preparados para trabalhar mais. Super estrelas com egos não são o problema que as pessoas podem pensar. Eles precisam de ser vencedores, porque isso lhes massaja os egos, e farão o que for necessário para vencer. Costumava ver o [Cristiano] Ronaldo [um dos melhores avançados do mundo, que joga agora no Real Madrid], Beckham, Giggs, Scholes e outros a treinar durante horas. Tinha de os mandar para dentro. Batia na janela e dizia-lhes, “Temos um jogo no sábado”. Mas eles queriam tempo para treinar. Percebiam que ser jogador do Manchester United não é um trabalho fácil.
in
Dinheiro Vivo
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