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terça-feira, 22 de outubro de 2013
A fórmula de sucesso de Alex Ferguson (VII)
Lição nº 6.
Preparar-se para ganhar
As equipas de Ferguson tinham um talento para arrancarem vitórias nos últimos momentos dos jogos. As nossas análises dos resultados mostram que em 10 temporadas recentes, o United fazia um melhor resultado quando estava empatado ao intervalo e quando estava empatado a 15 minutos do fim do jogo, que qualquer outro clube da liga inglesa. As conversas inspiradoras ao intervalo e as mudanças táticas certas durante o jogo, sem dúvida, tinham algo a ver com essas vitórias, mas podem não ser tudo.
Quando os seus clubes estão em desvantagem no jogo, muitos treinadores instruem os jogadores para avançarem, incentivando o ataque. Ferguson era ao mesmo tempo invulgarmente agressivo e invulgarmente sistemático na sua abordagem. Preparava a equipa para ganhar. Fazia os jogadores praticarem regularmente como deviam jogar se fosse necessário marcar um golo nos dez, cinco ou três minutos restantes. “Praticamos para quando as coisas se tornam difíceis, por isso sabemos o que é necessário para ter sucesso nessas situações”, diz um dos treinadores adjuntos do United.
As sessões práticas do United concentravam-se na repetição de competências e táticas. “Vemos os treinos como oportunidades para aprender e melhorar”, diz Ferguson. “Por vezes, os jogadores podem pensar, ‘Lá vamos nós outra vez’, mas isto ajuda-nos a ganhar”. Esta abordagem parece conter mais que a simples crença comum de que as equipas vencedoras estão enraizadas em hábitos — que podem executar certas jogadas quase automaticamente. Existe também um sinal subjacente de que nunca estamos muito satisfeitos com a situação em que nos encontramos e que estamos constantemente em busca de maneiras de melhorarmos. É assim que Ferguson descreve as coisas: “A mensagem é simples: neste clube, não podemos ficar parados”.
O que diz Sir Alex Ferguson:
Vencer é a minha natureza. Estabeleci os meus padrões durante um período de tempo tão longo que, para mim, não existe outra opção — tenho de ganhar. Eu esperava ganhar sempre que entrávamos
em campo. Mesmo
que cinco dos jogadores mais importantes estivessem lesionados, eu esperava ganhar. Assim que entrávamos em campo antes de um jogo, eu tinha confiança que os jogadores estavam preparados para jogar, porque tudo fora feito antes de entrarem em campo.
Sou um jogador — corro riscos — e isso pode ver-se na maneira como jogámos nos últimos momentos dos jogos. Se estivéssemos a perder ao intervalo, a mensagem era simples: não entrar
em pânico. Concentrar-se
em realizar a tarefa. Se continuássemos a perder — digamos, 1–2— a 15 minutos do fim do jogo, eu estava preparado para correr mais riscos. Ficava perfeitamente feliz por perder 1–3 se isso significasse que déramos a nós próprios uma boa oportunidade de empatar ou vencer. Então, naqueles últimos 15 minutos, tentávamos tudo. Entrava mais um atacante e preocupávamo-nos menos com a defesa. Sabíamos que, se acabássemos por ganhar 3–2, a sensação seria fantástica. Se perdêssemos 1–3, de qualquer maneira já estávamos a perder.
Ser positivo, aventureiro e correr riscos, era esse o nosso estilo. Estávamos ali para ganhar o jogo. Os nossos adeptos compreendiam isso e apoiavam. Era uma sensação maravilhosa, ver-nos dar tudo por tudo naqueles últimos 15 minutos. Corpos por todo o lado, os jogadores a desencadearem uma verdadeira batalha. É claro que se pode perder no contra-ataque, mas a alegria de ganhar quando julgáramos estar derrotados, é fantástica.
Acho que todas as minhas equipas tinham perseverança — nunca desistiam.Por isso eu não tinha de me preocupar muito em lhes passar a mensagem. É fantástico ter esta característica e é impressionante ver o que pode acontecer nos segundos finais de um jogo.
in
Dinheiro Vivo
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