Apresentada que está a hipotética investidora e partindo do princípio que o jornal sabe do que está a falar, vou opinar e entrar no verdadeiro e polémico cerne da questão: a vontade ou não dos sócios em converter uma empresa SDUQ em SAD. Muitos sócios opinam e nem sequer sabem a diferença entre uma e outra mas também não vamos voltar a falar sobre isso, até porque, já foi muito debatido e explicitado aquando a alteração do regime jurídico para os clubes profissionais.
Toda a gente que está envolvida no mundo do futebol com quem tenho falado, desde empresários, a treinadores, dirigentes e mesmo jogadores, a opinião é quase unânime: no prazo máximo de 10 anos só vai ter capacidade para andar no futebol profissional, principalmente na 1ª divisão, quem tiver capital externo e capacidade financeira para tal e para isso só com a constituição de SADs credíveis e grupos económicos fortes com capacidade de investimento. Não estamos a falar de uns chineses ou Iranianos que ninguém sabe de onde surgiram e que acabaram por entrar em SADs já completamente destruídas e endividadas. Estamos a falar de dinheiro, muito dinheiro, como por exemplo o do Gil Vicente que foi comprado por 6 milhões de euros. mas podemos falar do Chaves completamente falido no 3º escalão e que em pouco tempo já ultrapassou o Rio Ave e que esta semana jogará as meias-finais da taça de Portugal. O Estoril falido nas profundezas do nacional de séniores e que a traffic já os levou por duas vezes às provas da UEFA. Para quem está minimamente atento, sabe que o Portimonense com a injeção de capital que levou está de passagem pela 2ª Liga e com pujança suficiente para no próximo ano disputar um dos lugares que dêem acesso à Europa. Para quem anda no mundo futebol não é novidade que o Portimonense tem ligado a si vários jogadores cobiçados por emblemas da 1ª Liga e que não tiveram a capacidade financeira do Portimonense para os contratar. Mas posso-lhes adiantar, este caso é de menos conhecimento do público, que o Desp. das Aves, um clube de uma freguesia de Santo Tirso, desde que constituiu SAD, tem um investidor que pôs a todo o vapor uma academia de formação que quando estiver pronta(começou muito depois e vai acabar muito antes do Rio Ave) para além dos inúmeros campos relvados para os jovens, terá também um edifício para albergar jovens que sejam de longe. Nem sequer depende se sobem ou não porque o projeto está a olhar muito para além disso. O Rio Ave ver-se-á ultrapassado a breve trecho por estes clubes porque só é auto-sustentável no nível que está, e mesmo assim, a depender sempre da ajuda de alguém para fazer um encaixe financeiro com a venda de este ou aquele jogador. O Rio Ave tem que arrepiar caminho e se é para ser SAD que seja agora que temos capacidade negocial. Se acontecer uma desgraça(entenda-se descida) nos próximos anos ou se entramos numa espiral de dívidas vamos formalizar uma SAD da pior maneira possível, com as calças na mão e a entregar-nos ao primeiro pirata que nos aparecer.
Vai haver polémica, é certo, mas o Rio Ave já é uma empresa e os sócios nada mandam no futebol profissional. Na Inglaterra, pioneiros na Europa nesta história de clubes detidos por privados, aconteceu o mesmo, mas agora já ninguém se lembra disso.
Eu como sócio não assino a passagem de olhos fechados, vou querer saber muito bem os contornos do negócio. Quanto pagarão por usar o estádio, quais as benesses ao nível das infra-estruturas, qual a quota parte do clube em futuras vendas de jovens formados no clube, etc, etc...depois de saber e se for vantajoso para o nosso RAFC não terei problemas em aprovar em AG a passagem a SAD.
Sinais dos tempos, quem apanhar a carruagem segue, quem não apanhar fica pelo caminho.
Longe vão os tempos em que comecei com o meu pai a ir ao futebol, para o peão, de pé, à chuva...tudo mudou e vai continuar a mudar. O caminho do RAFC só pode ser a subir...
2 comentários:
Parece-me um comentário acertado. Basicamente concordo com o que foi escrito. Diria que se calhar está na hora de olharmos para a frente, pensar se queremos um Rio Ave de topo ou de andar pelas ruas da amargura, se queremos melhorar as condições para assistir aos jogos ou ficarmos como estamos, se queremos uma verdadeira Academia ou pararmos no tempo, se queremos vender em alta ou à pressa e com as calças na mão. Sei bem que existe por aí uma brigada do reumático que tem sempre medo de dar o salto em frente. Vamos ver. Atenção que o Presidente ASC não dura sempre, e quando ele deixar o dirigismo? Haverá por aí alguém que seha capaz de tanto como ele? Duvido.
Exatamente Luís, a brigada do reumático que aí anda é a mesma que durante anos se opôs à ida do Rio Ave à Europa. Por eles o Rio Ave ainda andava cheio de dívidas a subir e a descer de divisão. A pergunta é mesmo essa: e quando ASC se cansar e for embora?
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