total de 746 jogos na 1ª Divisão/Liga / 816 pontos conquistados na 1ª Divisão/Liga / 762 golos marcados na 1ª Divisão/Liga
FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL: 1/MAIO /1984 e 18/MAIO/2014 FINAL DA TAÇA DA LIGA: 7/MAIO/2014 FINAL DA SUPERTAÇA: 10/AGOSTO/2014
TÍTULOS 2ª DIVISÃO/LIGA 1985/86; 1995/96 e 2002/03 3ª DIVISÃO 1976/77 3º MELHOR CLUBE PORTUGUÊS (IFFHS) 2014

LIGA NOS 2017/18 30/SET 20h30 Rio Ave FC - Vitória Setúbal 21/OUT 16h00 Feirense - Rio Ave FC
TAÇA DE PORTUGAL 15/OUT 15h00 3ª eliminatória Sanjoanense - Rio Ave FC TAÇA DA LIGA 08/OUT 15h00 Paços de Ferreira - Rio Ave FC

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quinito

Em 4 de Março publicamos pela primeira vez um trabalho do Alberto de Castro Abreu do blogue Glorias do Passado. Após nova autorização deixamos aqui mais um texto seu sobre um ex-treinador do Rio Ave F.C, e não só, que em dois períodos distintos da nossa história deixou por cá a sua marca. Quinito foi treinador do Rio Ave F.C. primeiro na época 82/83 (30J 13V 3E 14D 43GM 45 GS) tendo conseguido o 8º lugar e na época 93/94 (17J 9V 5E 3D 22GM 10GS(16J 9V 5E 2D 22GM 9GS) quando substituiu o José Rachão (17J 10V 2E 5D 21GM 13GS) (18J 9V 3E 6D 21GM 14GS) no início da segunda volta tendo conseguido um 4º lugar mas fora dos lugares de acesso à primeira divisão.

Joaquim Lucas Duro de Jesus, conhecido por Quinito, nasceu na freguesia de Bocage na cidade de Setúbal corria o dia 6 de Novembro do ano de 1948. Quinito trata-se de uma das personagens mais marcantes na historia do futebol português nos últimos 40 anos, não tanto pelos resultados desportivos alcançados, que sem serem brilhantes foram sem duvida muito meritórios, mas sobretudo pela sua personalidade exteriorizada de um verdadeiro apaixonado pelo espectáculo chamado de futebol.
Quinito, o menino que na sua infância foi escuteiro, que sempre estudou e quase foi Doutor. Mas a sua paixão eram os touros de tal forma que quase foi toureiro – diz-se que tinha muito jeito para a arte - mas acabou por virar jogador de futebol. Como profissional de futebol foi um dos bons jogadores portugueses da década de 70. Passou pelo Vitoria de Setúbal, pela Académica de Coimbra, CF Belenenses, SC Braga e pelo meio passou 3 épocas em Espanha a representar o Racing de Santander onde ficou famoso. Depois tornou-se treinador quando perspectivava ser suinicultor. Foi “Rei” no Minho, virou “Homem das Arábias”, foi “Mestre”, “Feiticeiro” e ainda o “Mágico Quinas”. Era o homem que privilegiava a magia no futebol. Era apaixonado pelo espectáculo de futebol artístico com os sentimentos bem revelados à flor da pele. Ele que preferia ganhar 6-5 do que ganhar por 1-0. Apelidaram-no de romântico, poeta, lírico, utópico e excêntrico. Demasiado ousado e muito pouco conservador.
As barbas, imagem de marca de Quinito, resultavam do seu horror aos barbeiros. É dotado de um bom humor adequado a quem esta de bem com a vida e quando não estivesse pelo menos parecia. O seu discurso era muito próprio e os seus comportamentos perante um lance bem conseguido pela sua equipa ou num jogo mais especial eram inimitáveis.
Ele que um dia entrou de fraque no Estádio do Jamor numa final da Taça de Portugal. O Quinito que dava voltas ao banco de suplentes em corrida acelerada festejando um golo dos seus “meninos”. O Quinito que se aninhava, ajoelhava no banco de suplentes. O homem que gritava mas mimava como ninguém os seus jogadores. O Quinito faz falta ao futebol pois é bom para este espectáculo cada vez mais rígido nas regras de conduta que existam pessoas como ele.
E as suas expressões eram deveras sensacionais. A mítica frase de “colocar a carne toda no assador” ou quando se dirigia particularmente aos seus jogadores eram disso exemplo. No FC Porto, por exemplo, afirmou que era o “Gomes e mais dez”, em Guimarães, enquanto treinador do Vitoria, ficou celebre as frases dirigidas ao “pastelão” Pedro Barbosa e sua relação com os croissants. Ou que se fosse rico o comprava para jogar futebol consigo. Mas mais expressões deliciosas existiram e ficaram na memória. Ao Nuno, guarda-redes do Vitoria que se estreava com Quinito, mandou colocar gel e pôr-se bonito para a estreia. Ao Lixa, chamava-lhe o “menino de rua”.
Depois de treinador ainda foi executivo, na SAD do Vitoria de Setúbal, foi jornalista e apresentou programas de rádio. Foi director desportivo também no clube da sua cidade e é professor na sua escola de futebol.
Mas a história de Quinito ligada ao desporto começa miúdo. Depois de deixar o sonho de ser toureiro, tornou-se jogador de futebol nas camadas jovens do Comercio e Industria e mais tarde no Vitoria de Setúbal depois de ter sido descoberto pelos olheiros do principal clube do concelho. Mas ao mesmo tempo que era jogador de futebol, também jogava andebol na equipa de “Os Sadinos”. Tornou-se todavia incompatível a pratica simultânea das duas modalidades. Chegou a atingir o cúmulo de primeiro jogar futebol com a camisola do Vitoria de Setúbal, e logo a seguir jogar andebol pela equipa do “Os Sadinos” contra o próprio Vitoria de Setúbal.
Com 18 anos de idade Quinito ingressou na Faculdade de Medicina em Coimbra e para a cidade dos estudantes seguiu de malas e bagagens para estudar e prosseguir a sua paixão pela carreira de jogador de futebol. Apresentou-se na Académica de Coimbra para treinar e logo no primeiro dia foi chamado por Mário Wilson, treinador da briosa, para integrar o apronto da equipa sénior.
Em Coimbra permaneceu durante 3 temporadas a jogar na Académica e a estudar, muito pouco por sinal, pois não terminou o curso e abandonou a carreira estudantil. De Coimbra prosseguiu a carreira de futebolista em outro clube histórico de Portugal, o CF Belenenses. Jogou nos azuis do Restelo, até que um dia a equipa do CF Belenenses foi fazer um jogo de preparação contra o Racing de Santander de Espanha no defeso da temporada de 1975/76. Os espanhóis ficaram encantados com aquele médio direito que era lutador, bravo e denotava enorme espírito de sacrifício.

(CF Belenenses em 1969/70 - Quinito é o primeiro da esquerda e o guarda-redes é outro ex-treinador nosso, Félix Mourinho)
No Racing de Santander o Quinito atingiu o estatuto de vedeta e ali permaneceu durante 3 épocas consecutivas. Na principal liga espanhola, onde a presença de jogadores portugueses era escassa, disputou 72 jogos e apontou 6 golos. Ainda hoje é recordado com muito carinho pela aficion do Racing.
(Quinito no Racing de Santander)
Com quase 30 anos de idade decidiu deixar Espanha e regressar a Portugal para vir representar o SC Braga, iniciando dessa forma o seu périplo pelo Minho, primeiro na qualidade de jogador, e mais tarde, enquanto treinador de futebol.
É que no SC Braga a carreira enquanto futebolista foi muito curta, mas foi aí que iniciou com todo o brilhantismo a sua carreira de técnico. E ele que até nem queria ser treinador de futebol. Na verdade, Quinito projectava dedicar-se à suinicultura quando abandonasse o futebol ligando-se ao seu pai na criação de uma empresa de agro-pecuária. Mas não foi assim, pois o bichinho e paixão pelo futebol eram bem maiores.
Como treinador iniciou-se como treinador adjunto de Hilário no SC Braga, tendo mais tarde desempenhado a função no FC Famalicão e no União de Lamas. Regressou ao SC Braga como treinador principal na época de 1981/82, conduzindo os arsenalistas à 7ª posição no Campeonato Nacional da 1ª Divisão.

(Epoca de 1981/82 treinador do SC Braga)
Na época seguinte ingressou como treinador principal no Rio Ave FC tendo como seu adjunto Mário Reis, antigo jogador da equipa vilacondense e que mais tarde também veio a tornar-se treinador principal de futebol. O Rio Ave FC, que tinha sido 5º classificado na época anterior, conquistou sob o comando de Quinito a tranquila 8ª posição do Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1982/83, destacando-se essencialmente o avançado N´Habola que apontou 20 golos consagrando-se como o 3º melhor marcador da prova e que beneficiou em muito do estilo de jogo ofensivo implantado por Quinito.

(Rio Ave FC na época de 1982/83)

Em 1983/84 regressou ao SC Braga para aí inscrever definitivamente o seu nome na história do clube da cidade dos arcebispos. Quinito colocou o SC Braga a jogar um futebol de qualidade que primava essencialmente pelo jogo apoiado mas espectacular. No Campeonato Nacional obteve o 4º lugar na prova, melhor classificação de sempre da equipa do SC Braga, logo atrás do SL Benfica, que foi o campeão nacional, e do FC Porto e Sporting CP, mas essencialmente garantiu a qualificação dos bracarenses para as competições europeias da época seguinte.
Ao brilhante desempenho no Campeonato Nacional da 1ª Divisão da temporada de 1983/84, juntou-se a presença na final da Taça de Portugal frente ao Sporting CP. A equipa de Alvalade treinada pelo não menos excêntrico Malcoln Allison, que acabou por conquistar o troféu, mercê de uma concludente vitoria sobre o SC Braga por 4-0, estava recheada de grandes valores individuais como Oliveira, Jordão e Manuel Fernandes ou o internacional guarda redes húngaro Mezsaros. Para o SC Braga ficava, porém, a honra de chegar à final do Jamor para defrontar o Sporting CP que acabara de se sagrar campeão nacional concluindo assim a famosa “dobradinha”. Contudo, o jogo desta final ficou marcado por um episódio que para sempre irá figurar no álbum das melhores memórias da prova rainha do calendário futebolístico nacional. É que o treinador do SC Braga - o aqui recordado Quinito – apresentou-se em pleno Estádio do Jamor para dirigir a sua equipa no banco de suplentes vestido de “smoking” branco e papilon preto. Prometeu que assim o faria e cumpriu. Dizia ele que para um jogo de gala como a final do Jamor nada melhor que se apresentar vestido com uma indumentária à altura da ocasião e daí a sua escolha ter recaído num tradicional fato de cerimónia.
(Quinito de papilon no banco do SC Braga no Jamor)
Quinito foi o treinador do SC Braga no regresso à Europa na época de 1984/85. Contudo, a equipa arsenalista não conseguiu ultrapassar o primeiro adversário que lhe surgiu logo na 1ª eliminatória. E tratou-se efectivamente de um adversário de peso e de renome internacional. Os ingleses do Tottenham derrotaram o SC Braga por 0-3 no Estádio 1º de Maio e infligiram uma pesada derrota por 6-0 no jogo disputado em terras de sua majestade.
No Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1984/85, que seria a ultima época de Quinito ao serviço dos bracarenses, a prestação da equipa foi regular e tranquila, terminando a prova a meio da tabela classificativa, posicionando-se concretamente na 8ª posição.

(Cumprimentando Henrique Calisto - mais um ex-treinador do Rio Ave F.C.)
O nome de Quinito ficou entretanto famoso também pelo mundo árabe depois de ter passado 2 épocas no Kuwait a treinar o Yarmouk. Por lá granjeou sucesso e reconhecimento e adaptou-se com enorme facilidade à cultura árabe. Vestia frequentemente a desdacha, leu o Corão e envolveu-se na cultura própria daquele povo.

(Quinito no Kuwait na companhia de Manuel Barbosa).
Regressou a Portugal para treinar o SC Espinho na temporada de 1987/88. Mais um clube e uma cidade com que Quinito estabeleceu uma relação afectiva muito próxima. Alias, é assim que Quinito sabe viver. Em Espinho foi muito feliz obtendo um surpreendente 6º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, mas acima de tudo colocou os espinhenses a praticar um futebol espectáculo. Essa época e a carreira que vinha trilhando no futebol português como treinador abriu-lhe as portas do FC Porto que havia sido tão só Campeão Nacional, Campeão do Mundo, vencedor da Supertaça Europeia com Tomislav Ivic e da Taça dos Campeões Europeus com Artur Jorge.
Quinito foi escolha pessoal de Pinto Costa, o presidente do FC Porto, para treinar a equipa onde pontificava jogadores como João Pinto, Madjer, Gomes, Jaime Pacheco, André e Sousa. Todavia os resultados não surgiam e a pressão exercida sobre o treinador começou a ser pesada demais para o que Quinito estava habituado. O próprio confessou que não estava preparado para suportar a pressão exercida quer pela massa associativa que estava habituada a ganhar e não tolerava as derrotas que o FC Porto da era Quinito ia sofrendo, quer por parte da comunicação social.
Quinito aguentou apenas até à 11ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão e saiu, apesar do apoio manifestado pelo presidente dos azuis e brancos que tudo fez para demover Quinito da sua intenção de deixar as Antas. No seu lugar ficou provisoriamente Alfredo Murça. Pelo meio, fica na história do clube azul e branco como sendo o treinador que lançou o guarda-redes internacional português Vítor Baia, ídolo do FC Porto, com apenas 19 anos de idade num jogo em Guimarães para o Campeonato Nacional frente ao Vitoria.


(Com Fernando Gomes e o adjunto Alfredo Murça)
Após abandonar as Antas Quinito atravessou um período conturbado na sua carreira de treinador de futebol. Os insucessos e os maus resultados das equipas que orientou depois de treinar o FC Porto foram-se avolumando e a tristeza e desilusão tomando conta do ânimo de Quinito. Mas o bravo lutador viria a dar a volta por cima e endireitar de novo a sua carreira no caminho do sucesso.
Esteve no CS Marítimo na temporada de 1989/90 tendo sido substituído por Ferreira da Costa à 10ª jornada do Campeonato Nacional dessa época. Na mesma edição daquela prova nacional ainda tomou conta dos destinos do Portimonense SC sem contudo evitar a descida à 2ª Divisão..
Em 1990/91 rumou a Leiria para comandar os destinos da formação do U. Leiria na 2ª Divisão de Honra, mas a meio da temporada foi seduzido pelo seu clube do coração o Vitoria de Setúbal. A equipa sadina acabava de demitir o treinador José Romão à 15ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão escolhendo o mister Quinito, homem da terra para salvar o Vitoria da descida.Contudo, não lhe correu nada bem o regresso ao seu Vitoria, não sendo capaz de inverter o rumo que a equipa levava na prova, terminando classificada na 17ª posição e consequentemente descendo escalão secundário do futebol nacional. Aquele insucesso da equipa sadina marcou negativamente Quinito, quer enquanto treinador, quer enquanto adepto do Vitoria de Setúbal.
Seguem-se 3 temporadas na cidade de Espinho como treinador principal do Sporting local que se encontrava na 2ª Divisão de Honra. Era um regresso a um clube no qual havia deixado inúmeros admiradores e por via disso o clube ideal para relançar a sua carreira de treinador de futebol.
Na primeira época sagrou-se Campeão Nacional da 2ª Divisão de Honra com o Sporting de Espinho devolvendo o clube ao patamar mais alto do futebol luso. Foi todavia efémero aquele regresso pois na época seguinte, a de 1992/93, o Sporting de Espinho foi de novo relegado ao escalão secundário.
A época de 1993/94 o objectivo era novamente a subida ao 1º escalão do futebol português, mantendo os responsáveis espinhenses a confiança em Quinito para comandar os destinos da equipa. A temporada não começou da melhor forma para a equipa do Sporting de Espinho e por isso ambas as partes decidiram colocar um ponto final na relação.


(Quinito num momento de pesca)
Quinito saiu do Sporting de Espinho, mas por pouco tempo ficou desempregado pois foi imediatamente contratado pelo Rio Ave FC que militava na 2ª Divisão de Honra. Tratava-se também neste caso de um regresso a um clube que havia trabalhado ainda como jovem técnico. A equipa vilacondense fez uma excelente recuperação mas baqueou no momento decisivo da subida quedando-se pelo 4º lugar na tabela.
Eis que surge na vida de Quinito o convite para treinar novamente um grande clube. Pimenta Machado, presidente do Vitoria de Guimarães, surpreendentemente contratou Quinito para o cargo de treinador principal da equipa vimaranense para a época de 1994/95, regressando desta forma à região minhota onde havia atingido enorme sucesso como treinador do SC Braga. Quinito recebeu uma equipa que possuía valores de categoria, como o defesa brasileiro Tanta, os médios Pedro Barbosa e Zahovic, e o avançado Dane. Contratou os defesas José Carlos e Vítor Silva, que havia atleta de Quinto no Sporting de Espinho, o médio Pedro Martins, e os avançados Gilmar e Ricardo Lopes. No Vitoria da época de 1994/95, Quinito conseguiu implantar, com estrondoso sucesso, o seu conceito sobre futebol, estabelecendo uma filosofia de jogo atacante, aberto e de risco, garantindo sempre um bom espectáculo. Conseguiu colocar o Vitoria a jogar bom futebol e simultaneamente a obter resultados condizentes com a valia da equipa.Nessa época a equipa vimaranense passeava classe e impunha um estilo espectacular nos seus jogos de futebol. Era a magia da Quinito elevada ao extremo. As grandes exibições da equipa do Vitoria empolgavam a massa associativa e recebiam o reconhecimento de todos os quadrantes da opinião desportiva.Ao longo da época coleccionaram-se resultados assinaláveis, com primordial destaque para a vitória alcançada em pleno Estádio da Luz frente ao SL Benfica por 1-3, num encontro em que o Vitoria de Guimarães realizou uma enorme exibição no seu conjunto onde poderia ter obtido uma goleada por números históricos.
(Quinito no seu estilo peculiar dirigindo o Vitoria SC)
No conjunto vimaranense evidenciavam-se vários jogadores, mas o principal destaque ia direitinho para Pedro Barbosa a quem Quinito deu toda a liberdade para explanar todo o seu enorme potencial. Quinito, um apaixonado pelo futebol, encantava-se com o perfume que brotava dos pés daquele jogador em cada lance que executava.Foi ainda o responsável pelo lançamento na equipa principal do guarda – redes Nuno Espírito Santo, um jovem internacional português, formado nas escolas do Vitoria, repetindo com muitas semelhanças o mesmo que havia feito no FC Porto com guardião Vítor Baia. O Vitoria terminou o Campeonato Nacional da 1ª Divisão na 4ª posição da tabela classificativa, qualificando-se por essa via para as competições internacionais de clubes, cumprindo o objectivo delineado no princípio da temporada.
Apesar do sucesso alcançado, Quinito não continuou em Guimarães. Queria regressar a casa para junto da família. Mas na cidade berço deixou muitas saudades, principalmente nos associados do Vitoria que apreciavam sobremaneira o estilo de jogo que implementou e forma como lidava com a própria massa associativa. Quinito havia de voltar à cidade berço. Colocado novamente na rota do sucesso, em 1995/96 regressou mesmo a casa para novamente treinar o seu Vitoria de Setúbal que militava na 2ª Divisão de Honra. Redimiu-se do insucesso da primeira passagem como técnico pela equipa sadina e obteve o 2º lugar na prova o que permitia recolocar o seu Vitoria de Setúbal novamente na 1ª Divisão Nacional.
Em 1996/97 foi treinador do CF Belenenses, clube que havia representado enquanto jogador de futebol. Não foi feliz e acabou substituído à 8ª jornada por Vítor Manuel. Na mesma temporada rumou à U. Leiria, onde também não teve sucesso, não evitando a descida à 2ª Divisão de Honra. Na época seguinte surgiria de novo a equipa do Vitoria de Guimarães na sua carreira. Corria a época de 1997/98 e o Vitoria encontrava-se posicionado no 2º lugar da classificação quando demitiu o treinador Jaime Pacheco. A equipa vimaranense estava recheada de jogadores de inegável qualidade mas faltava o condimento do futebol espectáculo. A equipa tinha um estilo de jogo cinzento, eficaz é certo, mas faltava-lhe empolgação e brilho. Para isso acontecer nada melhor que contratar um homem com essa filosofia.Quinito chega assim ao Vitoria, que nessa época realiza um Campeonato Nacional da 1ª Divisão a todos os níveis brilhante atingindo no final da prova o 3º lugar da geral classificativa depois de andar numa luta titânica mas desigual com o SL Benfica pelo o 2º posto que permitia o acesso à Liga dos Campeões.
Desta forma, Quinito inscreveu o seu nome a letras de ouro no restrito lote de treinadores do Vitoria que conseguiram o 3º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão – melhor classificação de sempre do clube – juntando-se assim aos brasileiros Jorge Vieira e Marinho Peres.
Não permaneceu em Guimarães e deixou de treinar. Ficou no desemprego à espera de novas oportunidades. E essa oportunidade iria surgir novamente de Guimarães e do Vitoria. À 7ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Vitoria demitia o treinador Zoran Filipovic escolhendo mais uma vez Quinito para ocupar aquele cargo.
O Vitoria efectuou uma boa recuperação melhorando bastante o seu desempenho na época de 1998/99 mas não conseguiu almejar o objectivo de um novo apuramento para as competições europeias.
Na época de 1999/00 o Vitoria decidiu apostar decisivamente nos jovens jogadores que integravam o seu grupo de jogadores profissionais. Para isso desafiou Quinito a continuar no cargo de treinador da equipa principal e a assumir a aposta. Quinito gostava desses desafios e os jovens jogadores encantavam-no.
Fernando Meira, Jairson, Lima, Rego, Pedro Mendes, Kipulu e Lixa era alguns dos exemplos dos jogadores que Quinito queria apostar. A Fernando Meira entregou-lhe a braçadeira de capitão de equipa e colocou-o a jogar na posição de defesa central onde se destacou e ainda hoje se destaca como um dos melhores jogadores portugueses naquela posição.
A Pedro Mendes reconhecia-lhe a capacidade de um verdadeiro mestre no terreno de jogo e por Lixa encantou-se perdidamente pelo seu talento de “menino de rua” com toda aquela técnica e habilidade que Quinito iria moldar.O Vitoria realizou um campeonato sempre próximo dos lugares da frente na classificação, mas que infelizmente veio a baquear na ponta final da prova não logrando obter um lugar europeu. Nem Quinito veio a terminar a sua ligação com o Vitoria de Guimarães.As relações entre Quinito e Pimenta Machado azedaram definitivamente na sequência do processo eleitoral verificado no início do ano de 2000. Nessa altura Pimenta Machado contratou 4 jogadores brasileiros para o plantel do Vitoria à revelia de Quinito dizia-se. A verdade é que desde então a relação entre ambos nunca mais foi a mesma acabando por degradar-se completamente quando os resultados obtidos pela equipa de futebol começaram a ser negativos.
Quinito rescindiu o contrato de trabalho que o vinculava ao Vitoria alegando justa causa porque não sentia condições para continuar a comandar a equipa reclamando uma indemnização. O Vitoria, por seu turno, entendia que a desvinculação fora efectuada sem qualquer justa causa e também reclamava uma indemnização pela quebra do vínculo.As partes chegaram mesmo a gladiar-se em Tribunal na defesa das suas posições dando origem a um processo judicial que veio a terminar, felizmente, com a obtenção de um acordo entre o Vitoria e o treinador Quinito.
A carreira de treinador de Quinito viria ainda a conhecer um novo clube. Na época de 2000/01 assumiu o comando técnico da equipa do Estrela da Amadora, mas a sequencia de maus resultados obtidos pelo conjunto da Reboleira veio a redondar na rescisão amigável do contrato que ligava ambas as partes.

(No banco de suplentes do CF Estrela da Amadora)
Terminou aqui a carreira do treinador Quinito, que no entanto, continuou de uma forma ou de outra ligado ao fenómeno do futebol. Dedicou-se mais às suas escolinhas de futebol e à comunicação social. Foi director do semanário “Setúbal Desportivo” e apresentou um programa de rádio intitulado “Magia da Bola” na Rádio Voz de Setúbal.
Foi ainda administrador da SAD do Vitoria de Setúbal por indicação da Câmara Municipal daquela cidade como accionista SAD e mais tarde ocupou no mesmo clube o cargo de Director Desportivo, função que abandonou durante o ano de 2007.

(Como Director da SAD do Vitoria de Setubal)
Quinito tem hoje 59 anos de idade e encontra-se presentemente afastado do fenómeno do futebol activo, mas é e será um homem que terá sempre o seu nome ligado à história nacional deste desporto e à do Vitoria Sport Clube em particular.
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
Autor:
Alberto de Castro Abreu

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