Pode o bater de asas de Ederson pagar o estádio ao Rio Ave?
«O bater de asas de uma borboleta
pode causar um tufão do outro lado do mundo.»
Sou sensível à Teoria do Caos. Não
pelo caos em si, mas porque, como canta Sérgio Godinho, sou devoto da crença de
que «isto anda tudo ligado».
No futebol, gosto de professar
raciocínios de causa-efeito e a globalização só veio ajudar-me.
Sorrio com genuína satisfação com
transferências milionárias como as de Hulk para a Rússia e para a China, que
rendem dividendos a clubes do Brasil ao Japão, numa maquia que só não chega ao
meu quase vizinho Vilanovense por mera questão formal. Já com o sobrolho mais
franzido leio notícias sobre como
a contratação de um prodígio sérvio por cá pode ajudar a criar uma empresa no
Chipre, em modo Simplex.
Como jornalista gosto de tentar
descortinar os «quês» de cada negócio, é o que é. E na maior parte dos casos
não vou muito além da tentativa.
Talvez por isso, o que achei mais interessante na entrevista do presidente do
Benfica a um canal de televisão na semana passada foi a afirmação de que o Rio
Ave (clube que o jogador representou entre 2012 e 2015) teria direito a 50
por cento da transferência de Ederson. O Relatório e Contas do Benfica
divulgado no domingo esclarece: o clube de Vila do Conde terá
50 por cento da futura mais-valia.
[Já agora, falando nos Relatórios e
Contas dos três grandes revelados na última semana, há que sublinhar o buraco
nas contas do FC Porto e a grande subida de gastos com pessoal do Sporting.
Porém, voltemos a Ederson.]
Numa notícia publicada no dia 13 de
maio de 2016 um jornal desportivo escreve que uma fatia (cujo valor não é
divulgado) de uma futura venda deverá caber a uma empresa liderada
pelo empresário do atleta. Porém, os números e as palavras que são
públicos e a confirmação que me encarreguei de fazer convergem
noutra versão: só o Rio Ave terá na sua posse meio bilhete de lotaria
premiado. E a taluda, suponho, será levantada a partir do dia em que um grande
clube europeu estiver decidido a recrutar o guarda-redes encarnado.
Será uma questão de tempo até
Ederson bater asas da Luz. Não é segredo que Pep Guardiola tem-no debaixo de
olho, pelo menos desde a eliminatória entre Bayern de Munique e Benfica na Liga
dos Campeões da época passada. Além disso, tem um superagente a tratar-lhe do
futuro e as excelentes exibições e a convocatória para a seleção do Brasil
valorizam ainda mais a sua cotação: umas dezenas de milhões de euros,
seguramente – se, por exemplo, o espanhol Roberto há meia dúzia de anos valeu
8,5 milhões, Ederson vale facilmente quatro ou cinco vezes mais.
Mudando não radicalmente de
assunto: há uns dois meses, li com atenção uma entrevista em que o presidente
do Rio Ave apresentava um entusiasmante projeto para remodelar o estádio, que,
diga-se, bem precisa e tem um dos mais belos enquadramentos do país. Na
prática, seria quase um recinto novo, porém, a ambição requer prudência a um
clube com recursos modestos e com uma gestão de pés assentes na terra.
Foi relacionando as entrevistas dos
dois presidentes que me lembrei de conjeturar sobre a possibilidade de uma
decisão de Guardiola em Manchester poder ajudar à remodelação do mítico estádio
dos Arcos, em Vila do Conde.
Seria uma prova do espantoso mundo
futebolístico em que vivemos, não?
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