Dos pequenos clubes, nós seremos talvez o que temos maior capacidade de crescer em número de adeptos, se levarmos em conta os sete concelhos que o Ave banha (mais de 500 mil habitantes), mais concelhos banhados pelos rios Este e Vizela, sob o lema “da Cabreira à Foz”, e a identificação sentimental que muitos possam sentir com o rio (em minúscula mesmo) Ave, “roubando” adeptos para o nosso Clube.
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Identidade e identificação: as dificuldades em clubes de menor dimensão
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- "És do Porto, do Benfica ou do Sporting?" Quantas vezes ao longo da vossa vida ouviram esta pergunta?Como pode um clube da dimensão do FC Paços de Ferreira combater isto? Como podem clubes como o Paços manifestar a sua identidade e criar uma identificação forte nos meios em que estão inseridos, sem que tenham que dividir a paixão do adepto, com um daqueles três clubes?É um facto que cultura desportiva portuguesa se resume quase exclusivamente a 3 clubes. E não se fala apenas de futebol. Em toda e qualquer modalidade que estes clubes decidam abraçar, acabam por secar tudo em volta como eucaliptos. Roubam adeptos, roubam patrocínios, roubam identidades... Os demais clubes limitam-se a sobreviver num sistema montado para que tudo gire em torno destas 3 instituições, como se tudo o resto fosse paisagem. As receitas não são distribuídas de forma equitativa, a exposição na comunicação social só é dada a 3 clubes, e pior, as atenções dos adeptos centram-se apenas nestes 3 clubes.Esta situação torna praticamente impossível que clubes como o Paços possam competir com estes colossos nacionais. Não conseguem competir porque têm menos adeptos. Menos adeptos significa menos receita própria. Menos adeptos significa menor atractividade para patrocinadores. Menos patrocinadores significa menos capacidade para contratar os melhores. Piores jogadores conduzem a equipas menos competitivas...Mas obviamente, não serão Porto, Benfica e Sporting a desmantelar este "sistema" que tanto retorno lhes dá! Cabe aos clubes ditos pequenos lutar pela sua identidade, pela sua afirmação e pelo respeito que a sociedade em geral lhes veta. Felizmente, têm sido levadas a cabo algumas sinergias pelos clubes de menor dimensão, para dar a volta à situação. Questionar o poder estabelecido nunca é um processo fácil, e a história está repleta de exemplos. Mas a luta não pode cessar!Muitos clubes têm optado por um caminho mais fácil. O do dinheiro de investidores estrangeiros. Dinheiro vindo vá-se lá saber de onde e com que objectivo... Na ânsia de sobrevivência, muitos clubes deixam-se alienar por autênticos mercenários que acabam por destruir anos de história e tradição. Veja-se o exemplo de clubes como a União de Leiria ou o Beira-mar... Acabaram por ter a sua história manchada por gente que não tinha o mínimo de identificação com a instituição. Apenas com as portas que pensavam que se abririam... Geralmente, a massa critica destes clubes é ignorada. Os sócios são ignorados e as divisões internas acentuam-se, tornando cada vez maiores as feridas. Veja-se por exemplo, o inacreditável cenário de podermos vir a ter os Belenenses, fora do Restelo!No Paços as coisas são feitas de outro modo. Apesar de pequena, a massa critica do clube sempre se fez ouvir e sempre lutou para que o futebol moderno não chegasse ao clube. Ao ponto de sermos uma das raras SDUQs do futebol profissional! Mas como pode um clube com cerca de 5000 sócios, sediado num concelho cuja população não chega para encher o Estádio da Luz, lutar contra isto? Ainda por cima quando, como na maioria do país, os habitantes ligam mais aos ditos grandes a centenas de km do que ao clube que têm ao lado de casa? Como podemos trazer essas pessoas para o clube? Como se cria uma identificação, sem que se perca a identidade?Trabalhar no marketing e comunicação do Paços não é fácil. Os recursos são limitados e não se consegue chegar a um público-alvo tão grande quanto se desejaria. Mas é precisamente esse o trabalho que vem sendo desenvolvido. Em coordenação com os diversos departamentos do clube, tem-se, com as limitações inerentes procurado aproximar o clube da cidade e da região.Aproximou-se o clube às escolas, tentando captar os mais novos. Não só as do concelho mas as da região. Regularmente, os nossos jogadores visitam as escolas e promovem o clube e a ida ao estádio, oferecendo bilhetes. Ainda nas escolas, desenvolveram-se projectos como o "Castorzinhos vão à escola" onde sob a orientação do professor Francisco Junior, se junta o melhor de vários mundos: promove-se a atividade física, promove-se a identificação com o clube e consegue-se uma base de recrutamento para as nossas equipas de formação. Tem sido assim desde que o professor António João Torres implementou a ideia no clube, e com resultados já visíveis e assinaláveis. Podem ver um pouco disto aqui: https://www.facebook.com/fcpf.pt/videos/10155881593726043/.Aos sócios são dadas várias regalias. O cartão de sócio passou a ser mais do que um livre trânsito para os jogos. É também uma vantagem comercial, tentando oferecer mais clientes ao comércio local e conferindo várias vantagens aos nossos associados.Pelas redes sociais começou a circular a hashtag #dosgrandessoudopaços, adoptada inicialmente pelos mais ferrenhos pacenses, mas que hoje em dia é cada vez mais utilizada, sinal que cada vez mais, são aqueles que se identificam com o clube. No clube, temos tentado melhorar a comunicação e a oferta de conteúdos aos nossos adeptos, procurando sair um pouco da caixa e promovendo uma maior interactividade com os adeptos. Eu e os restantes elementos da equipa ligada ao marketing e comunicação temos tido algumas intervenções avulsas que têm sido bem aceites e que acreditamos, estão a ajudar na identificação dos adeptos com o clube. Acredito piamente que o planeamento estratégico a desenvolver para a próxima temporada trará ainda mais frutos. Uma comunicação mais cuidada, melhor planeada, e com um aspecto gráfico mais apelativo irão certamente ajudar o clube a captar uma maior atenção nas redes sociais e offline, junto dos habitantes do concelho (numa primeira fase) e da região (numa segunda fase).Apesar de estar sob os poucos holofotes da fama que não incidem sobre os 3 do costume, o Paços não esquece as suas origens humildes e o meio onde está inserido. Razão pela qual foi criado o Paços Solidário, um departamento do clube que visa trabalhar todas as questões de responsabilidade social a que um clube como o Paços deva estar atento e procurar auxiliar. Acreditamos que também isto é uma marca identitária do clube e, consequentemente, mais um factor de identificação para os adeptos.Nacionalmente, e um pouco no estrangeiro, granjeamos já a simpatia de muitos adeptos de futebol. Pessoas que reconhecem o Paços pela sua postura correcta no mundo do futebol. Que reconhecem o orgulho que temos em cumprir as nossas obrigações. Que se admiram com a remodelação de um estádio feita com capitais próprios. Que já se espantam com anos a fio de manutenções na primeira liga, e impensáveis qualificações para as provas europeias. Pena que na sua própria cidade, ainda sejam muitos aqueles que preferem olhar para os 3 "gulosos" em vez de valorizar e ajudar a crescer o clube da terra.A identidade de um clube não se compra. Não se constrói da noite para o dia. Não vem exposta numa mala cheia de dinheiro de um investidor qualquer. A identidade cria-se, ano após ano, com as decisões e posturas tomadas. Com as sucessivas vitórias e derrotas. A identidade do Paços tem vindo a ser definida desde 1950. Cabe a nós, dirigentes e adeptos, promover ainda mais a sua identificação!
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